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RPPN FELICIANO MIGUEL ABDALA
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ESTAÇÃO BIOLÓGICA DE CARATINGA

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  RPPN FELICIANO MIGUEL ABDALA | CARACTERÍSTICAS  
     
  O clima da região é tipicamente quente, com chuvas de verão. A estação seca vai de abril a setembro e a chuvosa de outubro a março. A pluviosidade média anual é de cerca de 1.000 mm, podendo variar consideravelmente de ano para ano.

A topografia da região é montanhosa, com altitudes variando de 318m a 628m eabriga trechos de duas sub-bacias, separadas por cristas de morros que podem atingir 628m. São os córregos Jaó e Matão, que também inspiraram os nomes dos dois principais grupos de muriquis da reserva: o "grupo do Matão" e o "grupo do Jaó".

A reserva é marcada pela paisagem da Floresta Estacionai Semidecidual, também conhecida como floresta mesófila. Essa fisionomia vegetal é condicionada por estações secas e chuvosas bem marcadas, e constituída por árvores perenifólias (que mantêm a folhagem ao Longo do ano) e semi-caducifólias (que perdem parte da folhagem na seca).

Existe uma considerável variação na estrutura da floresta nos limites da RPPN-FMA. A mata em bom estado de conservação, com poucos distúrbios, está restrita aos vales dos córregos Matão, Jaó e Sapo. Com o aumento da altitude as matas primárias passam gradativamente a matas secundárias perturbadas e mata jovem em regeneração, e a arbustos e áreas infestadas nos topos de morro. Nos trechos com dossel contínuo as árvores atingem cerca de 25m de altura, sem levar em conta as árvores emergentes que atingem uma altura superior a 35m.

A preservação da área é crítica para muitas espécies da fauna. Dentre os levantamentos realizados foram encontradas
 
 
espécies consideradas ameaçadas de extinção no Estado de Minas Gerais. Nas matas da RPPN-FMA são encontradas cerca de 362 espécies de vertebrados (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios). A reserva possui 79 espécies de mamíferos, constituindo, juntamente com o Parque Nacional do Caparão, uma das áreas mais ricas em mamíferos do Vale do Rio Doce.

A mais densa e variada população de primatas conhecida no Estado de Minas Gerais está localizada na RPPN, com destaque para a ocorrência do muriqui-do-norte, uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo. Cerca de 500 indivíduos sobrevivem hoje na natureza, distribuídos em pequenas populações nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Embora muitas outras novas populações tenham sido descobertas nos últimos anos, a da RPPN-FMA é ainda a maior população conhecida, com cerca de 170 indivíduos e também a única considerada viável.

Estudos da avifauna registraram a ocorrência de 204 espécies na área. Este número representa 52% das espécies que ocorrem em todo o Vale do Rio Doce (393 espécies) e 26% das aves de Minas Gerais (774 espécies). Foram identificadas, até o momento, 37 espécies de anfíbios e, em recente trabalho do Departamento de Zoologia da UFMG, foram catalogadas 38 espécies de répteis. Estas incluem 21 espécies de cobras, entre elas a Lachesis muta (surucucu, dourado), que pode ser considerada em extinção no estado de Minas Gerais. Associada à presença de Mata Atlântica preservada, esta espécie é encontrada hoje apenas na RPPN e no Parque do Rio Doce.

No Rio Manhuaçú e seus afluentes foram registradas 25 espécies de peixes, Dos quais 19 constam na região da RPPN-FMA Espera-se que estudos mais detalhados revelem novidades. Este número representa cerca de 1/3 das espécies da bacia do Rio Doce. O dourado (Salminus maxiilosus) é citado por antigos pescadores da região como espécie da área de mata do Rio Manhuaçú, mas extinta nos dias atuais.

Uma espécie de borboleta presente nestas matas, a Heticonius nattereri, da família Nymphalidae, è classificada como "ameaçada de extinção" pelo IBAMA e "em perigo" pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM).

Os altos níveis de biodiversidade encontrados na RPPN-FMA constituem um importante atrativo para atividades de pesquisa, conscientização ambiental e ecoturismo. A visitação turística na RPPN-FMA, embora incipiente, tem potencial para constituir uma importante ferramenta para a proteção da floresta e geração de recursos para a área. A fauna, especialmente os primatas, está habituada à presença humana, tornando muito fácil avistar os animais. A presença do muriqui pode transformar Caratinga em algo parecido com as "montanhas dos gorilas" da América do Sul, o único lugar onde os visitantes podem certamente observar esta espécie altamente ameaçada em uma rápida visita. Esta é uma grande atração para turistas e torna a reserva útil em esforços para a conscientização ambiental. Portanto é fundamental o desenvolvimento de um amplo planejamento de ecoturismo para a EBC, capaz de gerar recursos financeiros que poderão inclusive subsidiar as pesquisas científicas na área.
Eduardo M. Veado

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